EMPRESAS PRIVADAS TÊM CORAÇÃO?

Ao se adentrar no universo das empresas privadas, deve-se lembrar da razão básica de sua existência. Mas, para que se possa trabalhar as questões relacionadas a este setor, faz-se necessário compreender sua localização e grau de importância dentro do sistema capitalista.
O primeiro setor é o setor público, onde a atuação é transformada em serviços beneficiando a população. A empresa privada está no segundo setor e tem no lucro a sua razão de ser. É, sem dúvida, a principal coluna de sustentação do sistema capitalista, dando suporte direto na manutenção dos outros setores. O terceiro setor é o das entidades não governamentais sem fins lucrativos, organizadas juridicamente. São as ONGs, grêmios, associações, igrejas, fundações que desenvolvem projetos e beneficiam a comunidade.
Sem perder o ideal do lucro, as empresas privadas vêm, ao longo dos anos, sofrendo grandes mudanças de paradigmas como foi abordado no capitulo primeiro. É certo que algumas ainda permanecem nos antigos paradigmas, adotando políticas repressoras e arcaicas no modo como tratam seus membros.
Numa temporada de ensino na cidade de Campina Grande-PB, tive a grata oportunidade de conversar com um empresário da região que, durante a conversa, soltou a seguinte “pérola”: “Empresa não tem coração. Ela tem CNPJ”. Ele estava se referindo às inúmeras ocasiões que utilizava esta frase para justificar sua resposta negativa diante das solicitações pessoais de seus funcionários.
Diante desta realidade comecei a pensar e percebi que existem dois lados desta moeda: Empresa tem coração? Empresa é só um CNPJ? Como tratar o colaborador quando este reivindica ou solicita algo?
Estas questões devem ser observadas por vários prismas. Veja:
1. Até que ponto a empresa não tem coração se ela é composta por pessoas? E sendo composta por pessoas, será que todas as questões devem ser vistas do ponto de vista mecanicista rígido aplicado nas relações, sem nem ouvir as reais razões, os motivos pelos quais aquelas questões estão sendo apresentadas?
2.Por outro lado, a abertura de concessões diante das legislações trabalhistas vigentes, normas internas estabelecidas e da cultura organizacional, não poderiam também abrir precedentes para a quebra da ordem na empresa e possíveis prejuízos financeiros?
O equilíbrio é imprescindível nas relações empresa e funcionário, gestor e colaborador. Não se pode esquecer também que a forma com que o gestor vê e conduz o processo fará toda diferença. Às vezes surgem mesmo solicitações diversas, tais como: ausência temporária, adiantamento salarial, um atraso, aumento salarial, mal-estar e indisposição, entre outras. Para que a tomada de decisão aconteça de modo mais seguro, sugiro seis perguntas que devem ser feitas pelo próprio gestor para o colaborador, objetivando uma melhor avaliação da questão em pauta.
São as seguintes:
1. Quais as reais motivações e intenções do solicitante?
2. Qual o nível de urgência e importância que tem a questão para a vida do indivíduo?
3. Com que frequência que estas solicitações têm sido feitas?
4. Até que ponto aquela solicitação vai ou pode interferir nos demais integrantes da equipe?
5. Dizer sim para ele irá prejudicar a execução das tarefas delegadas?
6. A decisão afetará outros departamentos ou necessitará da autorização prévia de outros departamentos?
O somatório dessas respostas demonstrará para o gestor se é coerente ou não liberar o sim para o colaborador. Essas questões podem parecer sem muita importância, mas o que se observa na prática é que muitos gestores querem manter uma postura ríspida e intransigente diante de situações que podem, no final de tudo, fazer com que aquele colaborador perca, por exemplo, a motivação.
Trecho do Livro: Grandes gestores, excelentes comunicadores

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